Na busca por realizar nossos desejos e sonhos, o caminho raramente é linear. Ao longo do processo, enfrentamos obstáculos, frustrações, pessoas negativas e experiências que nos desanimam. Muitas vezes, essa sequência de dificuldades faz com que nossa capacidade de desejar vá diminuindo, até, em alguns casos, desaparecer.

Quando isso acontece, corremos o risco de nos acostumar com uma vida menor do que poderíamos viver. Uma vida com menos potência, menos realização e menos de nós mesmos; uma vida em que somos menos do que poderíamos ser.

1. O desejo como força vital

Na psicanálise, o desejo não é apenas um “querer algo” superficial. Ele é o motor que nos impulsiona para a vida, que dá sentido às nossas escolhas e nos conecta com o que somos de forma autêntica.

Quando um sujeito perde a capacidade de desejar, perde também parte da sua vitalidade. Passa a viver em “modo automático”, mais reagindo às circunstâncias do que construindo sua própria história.

2. O impacto das frustrações

É natural que o percurso seja atravessado por frustrações:

Essas experiências são inevitáveis. O problema começa quando o sujeito se identifica apenas com as quedas e passa a acreditar que desejar “não vai dar em nada” ou “não vale a pena”.

É nesse ponto que muitos abrem mão de seus sonhos e se acomodam numa vida reduzida, sem energia, sem motivação e, muitas vezes, sem esperança.

3. O cuidado emocional profundo e a retomada do desejo

Aqui entra a importância do cuidado emocional profundo. Mais do que técnicas rápidas ou frases motivacionais, é o mergulho terapêutico que sustenta a retomada do desejo.

Esse cuidado envolve:

Na psicanálise, o espaço da sessão permite pensar qualquer coisa, em qualquer momento, sem censura. Isso abre espaço para reflexões inéditas, novas interpretações e maior leveza para lidar com os desafios.

Na psicologia por resultado, trabalhamos com planos futuros concretos, visualizando cenários, enfrentando obstáculos e transformando pressão em movimento.

Com o neurofeedback, treinamos o cérebro para se regular em tempo real, favorecendo estados de foco, atenção, concentração e motivação. É como dar ao sujeito a chance de recuperar rapidamente a clareza necessária diante das dificuldades.

4. Três condições essenciais para seguir em frente

Para atravessar as tempestades da vida e manter-se empenhado nos próprios objetivos e resultados, não basta apenas desejar. É preciso cultivar três condições fundamentais:

Essas três condições não existem de forma isolada. Elas se alimentam mutuamente.

👉 Quando falta permissão interna, o sujeito até pode ter recursos, mas não consegue usá-los. Vive com um freio invisível, como se não merecesse alcançar o que deseja.
👉 Quando falta capacidade, mesmo que exista desejo, a pessoa sente que não possui as ferramentas internas para lidar com os obstáculos, o que gera frustração e impotência.
👉 E nesses dois cenários, a consequência quase inevitável é a diminuição da disponibilidade para a vida.

5. Exemplos práticos

No esporte: um atleta pode ter o talento, treino com os melhores coaches, preparação física (capacidade), mas se não acreditar inconscientemente que merece vencer (falta de permissão interna), pode sabotar seu desempenho. Com isso, perde também a disponibilidade para treinar com consistência, sente um certo desânimo em continuar a rotina.
Na vida acadêmica: um estudante pode ter inteligência (capacidade), mas sem a energia emocional para se dedicar (disponibilidade, originando sentimento de culpa, vergonha) e acaba procrastinando, desistindo.
Nas relações: uma pessoa pode desejar vínculos saudáveis, mas se não se sentir digna de amor (permissão interna), tende a se contentar com relações que não a nutrem, reduzindo sua energia vital.

Esses exemplos mostram que, quando uma das três condições falha, as outras acabam sendo impactadas. E é nesse ponto que o cuidado emocional profundo atua, ajudando a reequilibrar e fortalecer todas elas.

Conclusão

Viver é, inevitavelmente, enfrentar obstáculos. Mas não podemos deixar que eles matem nossa capacidade de desejar. O desejo é o que nos impulsiona, o que nos faz levantar todos os dias e nos conecta com o melhor de nós.

👉 Acostumar-se com menos do que podemos ser e viver é abrir mão da nossa própria potência.
👉 O cuidado emocional profundo — através da psicanálise, da psicologia por resultado e da neurociência — nos ajuda a resgatar esse desejo e a seguir em direção a uma vida mais plena.
💬 Você tem vivido de acordo com seus desejos mais autênticos ou tem se acostumado com menos do que poderia ser?

Se esse texto fez sentido pra você, compartilhe com alguém que precisa lembrar da sua potência de desejar. O primeiro passo para viver plenamente é não abrir mão do que faz sentido pra você.

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